Em questão de meses, mesmo de dias, o atual estágio da crise do imperialismo leva à deterioração das condições de vida de milhões de famílias de trabalhadores, colocando para outros milhões a perspectiva da pobreza e miséria.
São demissões em massa, ameaças de redução de salários e aposentadorias, corte de direitos conquistados, precarização das relações de trabalho, perda de habitações. Cenas de pauperização típicas de países dominados, como moradores sem teto, vivendo em barracas ou debaixo da ponte, são vistas nos EUA e Japão.
As crises são inerentes ao sistema capitalista. A lei fundamental do modo de produção capitalista, a lei do valor, uma lei férrea, é a criação e apropriação de mais-valia, é a exploração do proletariado e a intensificação desta exploração. Aumentar a taxa de mais-valia, a taxa de exploração e assim aumentar a taxa de lucro é um objetivo permanente do capitalismo. Esse é o principal mecanismo para garantir a acumulação capitalista, a reprodução ampliada do capital.
Este processo de produção com base na exploração dos trabalhadores leva à concentração e centralização de capital, de riqueza, nas mãos de uma minoria, os grandes monopólios, e miséria e pobreza para a grande maioria da população, o proletariado e demais classes dominadas. E leva às crises, crise no processo de acumulação de capital. Crise de sobreacumulação de capital e superprodução de mercadorias.
A tendência a intensificar a exploração do proletariado é uma marca constante no processo de produção capitalista, tanto nos períodos de desenvolvimento como nos períodos de crise, sendo uma característica fundamental deste modo de produção. E é a resistência dos trabalhadores e dos povos, a luta de classe do proletariado que impõe limites a esta exploração. Exploração que só é abolida com a superação do capitalismo, a derrota do capitalismo, em um processo de transição para o socialismo e para o comunismo.
Nos momentos de crise aberta, como o atual, as classes dominantes atuam no sentido de intensificar, de maneira mais profunda, a exploração dos trabalhadores. Ao mesmo tempo, instituem “bolsas-capitalistas” para os grandes monopólios, o capital financeiro, bônus para altos executivos, torrando em dias bilhões de dólares, para tentar salvar um e outro de seus expoentes, premiar outros. Na verdade, todas iniciativas para sair da crise têm o objetivo de garantir o processo de exploração e opressão capitalista e, assim, continuar com a valorização do capital, nas esferas produtiva e financeiro/fictícia.
Nestes períodos, entretanto, o néon com que as classes dominantes tentam ganhar e anestesiar corações e mentes se queima, e a verdadeira face do capitalismo, do sistema imperialista se escancara para o mundo: desemprego para dezenas de milhões, violência e barbárie em escala exponencial.
O aprofundamento da crise agrava as contradições do sistema imperialista e a luta de classes no mundo. A ofensiva contra os interesses dos trabalhadores tem como uma de suas consequências a tendência à ampliação de sua luta, de sua resistência à exploração. Outra é a tendência das classes dominantes a intensificar a repressão ao povo, à fascistização, a criminalização da pobreza, dos movimentos sociais combativos e revolucionários, na tentativa de intimidar os trabalhadores, já ameaçados pelo desemprego. E ainda a tendência à guerra, resultado do aprofundamento das contradições interimperialistas, das disputas por zonas de influência para garantir mercados, valorização do capital e fontes de matérias-primas.
Mesmo dentro de um quadro de defensiva do proletariado na luta de classes mundial, como na conjuntura atual, o que se percebe é que a resistência dos povos tem se ampliado. Bem que os aparelhos ideológicos das classes dominantes tentam esconder essa resistência, minimizá-la, circunscrevê-la, reduzi-la a poucas informações, a meios mais restritos de comunicação. A tentativa é tão grande que até uma manifestação de 700 mil pessoas na Itália pouco ou quase nenhum registro teve no Brasil. Mas já não há como esconder que em todo mundo, centenas de manifestações, greves, ocupações de fábricas, rebeliões vêm ocorrendo desde o final do ano passado contra os efeitos da atual e maior crise do capitalismo desde a de 1929. Em alguns países da Europa tem ocorrido protestos quase que cotidianamente, em 2009.
Algumas mobilizações, como na França, levaram milhões de manifestantes às ruas; umas tiveram maior grau de organização ou combatividade; outras foram menores, mais localizadas, mas todas expressam a insatisfação e a resistência dos trabalhadores e do povo frente ao ataque a seus direitos, a seus empregos, contra a precarização das condições de trabalho e de vida.
A resistência do proletariado e dos povos no mundo é o acontecimento mais importante da conjuntura. Uma base material, concreta para forjar na luta de classes a vanguarda, o partido revolucionário em cada país, forjar a sua teoria e prática revolucionárias, fundamentais para o avanço da luta antiimperialista, elevando o nível de consciência e organização das massas e acumulando forças para a revolução, na perspectiva de transição para o socialismo.
Abaixo, selecionamos algumas fotos de recentes mobilizações pelo mundo, ilustrando a luta pela defesa dos direitos conquistados, garantia dos empregos, contra a redução de salários, por melhores condições de vida e trabalho. A maioria das iniciativas das massas populares teve um forte conteúdo político, de protesto contra as classes dominantes no poder e as suas "políticas econômicas".
Greve e manifestações em Guadalupe,
janeiro de 2009
Trabalhadores ocupam fábrica na Ucrânia, fevereiro de 2009
Manifestação e greve na França em 19 de março de 2009 - cerca de 3 milhões de franceses nas ruas de várias cidades do país.
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